sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Já faz três anos...

Sei lá, acho que faz uns três anos...
Ela sabe desse texto. É óbvio. Só ela saberia dos nossos três anos de não amor.
Era uma garotinha, com tiara no cabelo, fofinha, meiguinha. Era chorosa. Ela sofria pra mim seus desamores, suas tristezas e infelicidades de relacionamento. Aprendi a ouvir aqueles choros, a secar aquelas lágrimas. Aprendi a ama-la, enfim.
Alguns anos e cheguei a conclusão de que ela era parte de mim. Eu percebia em cada momento vivido ao seu lado a vontade de tê-la como minha namorada, a vontade de beijar seus lábios.
E aí, então, no verão desse ano, mostrei uma música (que toco, ainda hoje, somente quando ela pede), e ela disse que me daria uma chance. Eu fui ao céu. E sem passar pela Terra, no dia seguinte voltei de cara no inferno. Estava a 100 km/h e então bati de cara na parede. Ela, tipo, desistira da ideia de ficar comigo. Era como se ela tivesse rasgado meu coração ao meio. Sendo que antes, nestes mesmo tempos, fui obrigado a ver aqueles lábios beijando outras bocas, que não a minha. Tive que prender as lágrimas, e suportar a dor que aquilo causou. Eu sofri quieto e impotente.
Bem, agora, nesse texto, segue-se uma lógica do dia 24/10.
Demorei pra acordar, meu pai ficou louco comigo. Comi uma banana e encarei a estrada para o colégio. Aturei as aulas, saí rindo pois gostara da aula de física e aí me deparei com aquele conhecido rosto. Um abraço, uma forma discreta de sentir seu perfume, de ama-la por pensamento. Enfim, fiquei no colégio a tarde, assisti uma aula extra de matemática, joguei bola, separei uma possivel briga entre os pequenos da sexta série. Decidi ir embora para a praça, pegar o seletivo. E aí sim a historia de verdade começa.
Vi ela passar e entrar no ônibus. Corri, me matei correndo pra chegar junto dela. Sentei do lado de outra amiga que acabei encontrando, ela ao meu lado, conversamos um pouco, coisa rápida. Apareceram dois lugares e nos sentamos juntos. Ali sim, eu lembrei de tudo. (Pausa para observação: toda a santa vez que a vejo, acabo dizendo que a amo, percebendo o seu sorriso, acompanhado pelos olhos. Toda a vez que eu a vejo, eu vejo o amor crescendo em mim.) Lembrei de quando lhe disse que ela sorria com os olhos, lembrei de quando a ajudei a encontrar-se, e aí sim me espantei. O normal reflexo nervoso por não saber por total quem ela era, não veio. Me surpreendi ao perceber que aquela era ela de verdade. Lembrei de quando havia roubado um beijo dela. Ah, claro! Roubei outro! Passamos na minha casa, para eu dar o bendito livro que havia escrito, dediquei à ela a dedicatória mais sincera, escrita do jeito mais simples. Fomos para casa dela, eu com violão, nada de útil naquela parte. Assisti a confusão mental de ter que procurar uma roupa para a academia, e achei sinceramente, que ela estava linda de qualquer jeito. Ela é linda de qualquer jeito.
Vista a roupa, parti à leva-la para a academia, e aí entre uma brincadeira boba, aconteceu. Três anos de muito amor explodindo meu coração, soltando fogos de artifício com o beijo que se seguiu. Seu gosto ainda está em minha boca, ainda posso sentir seu beijo quando fecho os olhos. A reação que ela teve foi exatamente a que eu esperava. Ela disse que aquilo nunca, jamais poderia ter acontecido, ficou nervosa, até meio triste, na verdade. Voltei pra casa, comi bolo, escrevi um texto pra ela. Busquei-a na academia para dar o maldito texto. Ela chorou. O que me intriga realmente é: por que ela chorou? Ela pode ter chorado por que nunca poderá retribuir tal sentimento, mas também por que ela gosta de mim, e talvez não queira me magoar (acho pouco provável). Dei à ela uma flor, que como já disse por esses dias, era o contraste com o meu sentimento, já que a flor morria rapidamente, já meu amor datava de três anos antes.
Enfim, o que se segue prefiro não falar.
Seguimos como sempre: eu tentando inutilmente fazê-la perceber que seu lugar é ao meu lado, e ela insistindo que nunca ficaremos juntos.
Então mais uma vez, querida, eu te amo.
E vou te proteger, nem que seja pra ser de você mesma. Eu irei ser seu guardião, guerreiro, amigo, namorado, o que você quiser! Eu vou, e já sou completamente seu.