quinta-feira, 22 de setembro de 2016

TECNOLOGIARTE

Não sei se é o melhor 
Não tem o que fazer
Eu vou te ensinar o sol 
Eu vou ter que ir lá no fundo

Então, de novo a gente vai 
Então, não tem nada de novo 
Quando eu chegar em mim 
Eu vou dormir um pouquinho

Busque o sentido nisso
Como foi que isso tudo saiu?
Tecnologiarte?
Você não iria acreditar...

GENTE QUE É GENTE, PORRA!

Gente que é gente sonha com feriado
com sair correndo fugido do trabalho
gente que é gente acha legal
acha legal, mas também acha do caralho

Gente que é gente briga mesmo
discute, grita, e não escuta
gente que é gente fica brava
fica brava, mas também fica puta

Gente que é gente faz tudo
e talvez até saiba o que pode e não pode
gente que é gente transa
transa, mas também fode

Gente que é gente aprende
a ser único, algo que nunca se viu
sabe que tem dias de minha nossa
mas no geral, puta que pariu!
Não gosto do que é fixo
prefiro abraçar a mudança, o atraso
vou contra tudo que faz sentido
e se entrega no maldito prazo

terça-feira, 6 de setembro de 2016

RECIDADE

Recidade, a reinvenção
o reparo, a retomada
a rede que balança e abarca
a releitura de partidas e chegadas

Reci(pro)cidade
onde o conjunto constrói pra interagir
aprendendo que a resistência
é sempre poder reexistir

É preciso viver a cidade, a memória
saber apreciar os mo(vi)mentos
ser o protagonista de si mesmo
deixar-se levar ao sabor dos ventos

É preciso trabalhar o sonho
além de idealizar, miragem
entender que nos tirar a utopia
é tirar o horizonte da viagem

POEMA DE OBRIGADO

um presente pra professora Vânia Chaigar

POESIA DE OBRIGADO

O mistério de saber rir
de si, da vida, pra vida
de saber também ser
de ser as asas pra subida

O encanto de enxergar a beleza
ou de ao menos buscá-la
e a coragem pra saber traduzir e dizer
o que muitas vezes minha mente cala

De onde vem esse gente da gente
esse gosto pelo que é partilha?
como funciona esse amor pelo trabalho
como mãe que ama a filha

Por fim, essas asas me acolheram
me levaram nesse grande Certeau veredas
autores, histórias, frases se confundem
pesquisas e experiências compartilhadas na mesa

Obrigado por ser o que é
e por ser um ser de compartilhar
e aos que não querem e não se importam com o outro
ora, vão se Chaigar!

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Acordei numa cidade estranha
onde os nomes faziam sentido
chovia
como nunca antes havia chovido


Saí de guarda chuva
e voltei com toda chuva guardada
acorda!
que perigo!

O que impoeta é que sempre fui porta

Quando li Machado
virei realista
retratei o ônibus, a sala
o sentido e a vista

Então li 1berto
e busquei o sem sentido
falar sem dizer o que
desde que encaixe no ouvido

Antes ou depois li Quintana
que grande sou como sonetista!
decidi falar da vida da forma mais simples
talvez ser engraçado era a pista


Agora, estou terminando um do p.leminski
e o que ele me fez?
jogar tudo pra cima
aceitar ser somente louco de uma vez!
Souldier – soldado
e soul – alma
die não é morrer?
opa! Calma, calma...

Não seria então soldado
um morredor da alma?
Sentido escondido?


Faz sentido...

O artista

O artista era muito engraçado
não se sabe o que sobressaía
se a graça, ou a arte
e feliz da vida, ele fazia

Fez slide como quem pinta quadro
escreveu como se escrevesse Romeu e Julieta
ainda assim, o artista
se via um tremendo careta

Então, agarrou o microfone como quem segura troféu
falou, falou...
enxergo olhares atônitos, maravilhados
sua voz ecoou, ecoou...


Felicidade capaz de dar vida ao moribundo
orgulhoso das linhas que ele mesmo teceu
falou como se fosse o dono do mundo
e era mesmo: do seu
O engenheiro que engenheira
demonstra toda sua engenheiragem

O juiz que juizeia
transpira todo seu juizado

E se até o atoa que atoeia
pode se chamar assim, e vá atoagem


Por que só o poeta, que poeteia
receia ao assim ser chamado?

Desenha, maluco!

O maluco falou
“quero desenhar”
pensei eu, admirado
um artista é meu amigo
um da Vinci, um gênio encontrado!

E aí eu, embasbacado
queria tanto desenhar
o domínio dessa arte, não tinha
ansioso por uma direção
me pus a conversar


Então eu disse
“eu queria, mas não sei desenhar”
você não imagina o que aconteceu
o maluco sorriu do meu lado
disse: “nem eu”

A Colecionadora de Títulos

Ela colecionava títulos
e quando falava, isso lhe aparecia
pós pra lá, pós pra cá
uma fala de “ados” acontecia

E o “ado” de “lado”,
de aproximar de quem necessitaria
teria sido deixado de lado?
e se ela fosse gente da gente como seria?


Ela era inteligente, sim, sim
uma expert na área da academia
a mulher colecionava títulos
e da gente, nada sabia

O cético e a moça

Quando não se acreditava em nada
tudo pareciam mentiras inventadas
a moça conseguiu lhe fazer enxergar


E viu o cético, de sorriso médio
que metade do efeito é do remédio
já a outra é do acreditar
Que lindo instante em que a poesia me abraça
me faz vivo, me toma, puxa as pernas
olho ao relógio – puta que pariu!
e volto a ler história moderna!

Rima barata

Hoje um parceiro me disse
que aquele poeta tinha rimas baratas
mas que expressão!
tal blasfêmia meu coração poeta mata

Pelo amor de Deus, não existe rima barata
existe expressar-se, espremer-se, desenvolver e desenrolar
mergulhar nu na água gelada
e deixar de dissolver em rima, até se acostumar

Além disso, “barato” é um termo de dinheiro
e que preço tem uma rima?
valeria mil dólares? Dez centavos?
ou o preço das lágrimas nos olhos daquela menina?


Então, o amigo disse “rima barata”
será que eu também as escrevia?
não! Não existe rima barata...
mas se houvesse, eu as compraria

Sobre querer ser Lóki em tempo de like

Ei você, vamos tirar uma selfie
para que o seu filho curta
para que o céu fique aberto
calma cara, não surta

Você viu aquele cara no YouTube?
e o túnel do tempo em que eu fui parar?
e o tudo, que virou nada
é o tudo que eu fui compartilhar

Talvez eu queira ser mesmo um doido
caído de bunda no século vinteum
eu tinha mais de mil e duzentos amigos
e na verdade, não tinha nenhum

E postei fotos no meu Instagram
um prato de comida, uma folha na mão
eu queria ser Lóki em tempo de like
lai que merda, não posso não!


CURTAM!

Do medo de ser

Hoje eu quero andar descalço
mas não quero machucar os pés
pareço querer conhecer todo o barco
mas não consigo sair do convés

Talvez eu prefira a ilusão, a utopia
não ter que ter certeza, olhando o mar
é que a cidade é muito preto no branco
e a gente perde o prazer de imaginar

Ainda assim, tá na hora, né?
de ter que olhar pro meu próprio reflexo
num espelho quebrado, num vidro de carro
juntar meus pedaços, tão desconexos


Me ensina a encarar, quero ter medo
acho que preciso sair pra conhecer
me ensina a ser adulto, acordar cedo
acho que cresci sem saber crescer

Tá dificil

Quem é tu, estudante
que bota a cara a tapa
não foge nem escapa
da sua obrigação

Me conta, espírito pulsante
nem demônio nem santo
me conta qual o canto
que entoas no coração

Que se é pela luta
depois de tanto filho da puta
querer te sucatear

Eu to contigo
sou companheiro, amigo
e do teu lado eu vou lutar

E que a nossa situação política
tu vejas de forma crítica
pois é tudo numa coisa só

Deveres e direitos estufando os peitos
E as mãos formando um nó

Pois que esse nó una tudo
te digo, o pior mudo
é o que opta por não falar

E que da união se faça força
que a sociedade também torça
pra gente não ter como falhar

Que a escola não te faça mal
não sejamos another brick on the wall
nessa parede de políticos vãos

E que saibamos escolher os que ainda não vieram
há muitos que esperam
a esperança vir pelas tuas mãos

A briga é tua, abraça teu protagonismo
salta esse abismo
que nós mesmos erramos em construir

Que de canetas se façam espadas
que tua voz seja porta de entrada
pra que no futuro a gente possa sorrir


Que tá difícil, viu?

Fujo do fim

Eu gosto das palavras não ditas
ainda que todas eu diga, sem pensar
gosto das rimas, da poesia perdida
ainda que tente fugir de me aprisionar

Eu gosto de gente pura e verdadeira
por que raios sei também mentir?
se sou tradutor do sentimento, que besteira
mais sem tamanho que é se omitir

Ainda assim, me escondo
meu mundo é todo só pra mim
gosto do silêncio, e sou estrondo


Não me entendo, e gosto assim
vírgulas nas pausas vou pondo
sem nunca ponto, eu fujo do fim

Sentidos no tempo

O chão era menos vivo
aquilo ali não era dessa cor, certo?
o lugar, na verdade, é o mesmo
os olhos que, mais velhos, são mais espertos

Esse solo sempre foi assim?
é sério que eles dois cantavam juntos aqui?
os ouvidos eram os mesmos
minha paixão que crescendo fez ouvir

Era esse o segredo o tempo todo?
que história é essa de açúcar na panela?
a comida sempre foi a mesma
o paladar é que desenvolveu, olhando ela


Por fim, as mãos de meus pais não eram tão enrugadas
mas, espera, acho que não era mesmo assim
claro, as vezes vivo no meu mundinho
o tempo não passa (nunca passa) só pra mim

O chegar do anjo

Fica bem, que anjo vem
iluminura pra mais turva escuridão
um pedaço seu o anjo tem
e no teu olho ele enxerga coração

Ele vem e nem sabe                    
de tudo que ele, anjo, faz
exibindo juventude para que a mamãe babe
necessidades até desconhecidas, satisfaz

Sabe, o anjo é tudo isso
sol das manhãs, clareza no conturbado
companhia, liberdade, calmaria, compromisso


Espero que anjo, lindo e tão esperado
possa lhe causar um prazeroso rebuliço
que já causa dentro, amanhã causará ao lado

ENTA

Vivi a idade infante
onde tudo me era berrante
e eu era, quase sem saber, feliz
fazia pirraça a cada instante
nascia em mim o falante
ser ouvido foi o que eu sempre quis

Agora, tenho quase vinte
deveria estar aprendendo a ser ouvinte
mas pareço insistir em bater o pé
recebi tela, e ainda que em um quadro cético eu pinte
tive criação aqui, e por conseguinte
acabei desenvolvendo minha fé

Meu irmão reside na casa dos trinta
E mesmo que já não grite, ou minta
preserva seus hábitos de guri
sua percepção, deveras sucinta
talvez no auge ela se sinta
e ele ainda brinca, joga, sorri

Por fim, o crescimento assenta
e correndo, a gente tenta
agarrar pedaços do que já passou
mãe me disse que “depois do enta”
é quando mal se aguenta
da saudade do que em nós ficou


Fugir talvez seja possível
e o mundo continue incrível
se a gente souber se adaptar
nada me tira que o imprescindível
ou talvez eu só seja muito sensível
é que viver feliz é sinônimo de amar
Ela cansou de esperar
a cor desbotou
dúvida a pairar
sobre o mar
das suas convicções

Ela guardou o que era lar
em uma canção
pra sempre cantar
quando apertar
suas emoções



E foi

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Da Poesia

A poesia tem isso, de não rebater
de chocar e ou ficar ou se perder
de fazer sorrir, gelar ou aquecer
de se alastrar pelos profundos do ser

Ela tem isso de trazer emoção pra perto
de manter o coração, por um tempo, aberto
transformar a certeza em suspiro incerto
onde perdemos as palavras, boquiabertos

Assim, quando se termina uma poesia
ela, na verdade, só aí se cria
como se pro seu show, eu fosse camarim


Prepara-te em mim, mas sem ser dueto
o show é teu, explicativo soneto
que agora, ao acabar, não mais pertence a mim.
Que tantas confusões escondes
me diz os teus dilemas
onde fica teu coração, me conta, aonde?
e guardo pra mim os poemas

Mas que tanto sorriso nesse rosto
se eu até enxergo o aperto sutil
da confusão, que eu, a contragosto
observo calado, jovial, juvenil

E como escapar da tua loucura?
como fazer de mim o que você precisar
se nem tu sabes, doida de aventura


Faça então o que quiser, como gostar
te respeito, talvez seja essa a forma mais pura
de assim, de longe, amar.
Eu sei que não sou correto
afinal, que graça tem?
eu sei, bem, que o teu afeto
me é intrínseco, sei também

Que por mais que eu caminhe
não encontro nada meu em mim
seria preciso que meu corpo definhe
pra na alma a confusão ter um fim?

Então te peço, louco
deixa, só um pouco,
eu em ti, me perder


Que quanto mais me perco
mais eu estou perto
do meu próprio ser