sexta-feira, 15 de junho de 2012

Lembranças


Dos mais variados conceitos para filosofia, há um que eu particularmente me familiarizo: Filosofia, a arte de pensar e refletir. E, juntando isso, com o que aconteceu comigo hoje, decidi que a crônica do dia falaria sobre a filosofia na lembrança, afinal, há algo que nos faça pensar mais que o próprio passado?
Dormi mal, tarde, e ainda por cima esqueci de botar o celular a despertar. Estava um zumbi na sala de aula, mas um zumbi participativo (Com ressalva para a aula de história, que estava fantástica!). Fui embora, quase perdi o ônibus, e quando desci, eu lembrei de umas coisas que há muito aconteceram. Eu lembrei de um anjo que me acompanha. Mas lembrei do anjo quando ele era mais novo, mais magro talvez, mas igualmente alegre, como nos dias de hoje, e sempre, aliás.
Lembrei do meu primeiro álbum de figurinhas, e de como o anjo trazia as figuras escondidas nos bolsos e mandava eu tatear, ou deixava na bolsa da mochila de futebol, e eu procurava...Lembrei de como ele vinha com caroços nos joelhos, e eu ficava apavorado, mas quando ele tirava era um kinder ovo. O anjo era e ainda é o melhor anjo do mundo! Lembrei das mágicas de multiplicação das balinhas, das fotos antigas, minha mãe comendo macarrão, eu sentado no sofá, eu com uma toca ""dirigindo". Lembrei de um acidente que tive com um anjo também, ele bateu em um carro meio verde, afundou a porta do coitado, meu anjo é desastrado...
Tenho essas lembranças, mas fazia tempos que não pensava nelas. E a lembrança aguça, ressalta essa passagem temporária que vivenciamos todos os dias, né? Hoje o anjo não me trás mais kinder ovo, nem figurinhas (eu nem álbum tenho) mas ele ainda me faz rir, ele ainda é o meu anjo. Por mais que grisalho, mais pesado, meio abatido, pelo estresse do trabalho, mas ainda assim, perfeito.
O tempo levou minhas figuras, os chocolates, as balas, as fotos, mas me trouxe o violão, o videogame novo, me trouxe os livros (não vivo sem meus livros), e me trouxe uma coisa que eu sempre quis, e nunca havia realizado. O tempo trouxe o prazer de compôr uma música com o anjo. Você pode pensar que deliro em chamá-lo assim, mas, meu deus, a voz justifica a denominação.
O tempo levou meu irmão também, e, antes, o que era um jogo de videogame depois da faculdade, virou uma ligação pelo skype. O que foi o abraço, até as brigas, viraram lágrimas ao telefone. Ele não faz ideia de o quanto faz falta, sem ele me sinto um guerreiro sem lança, eu preciso lutar, mas não vejo como. Meu irmão, junto com o anjo, me inspiram e motivam a escrever cada linha, cada verso. A tocar cada acorde, a chorar cada lágrima salgada, carregada de sentimento.
O tempo agrediu minha base, àquela que mais me conhece, que mais me entende. Vai consumindo aos poucos sua saúde, mas ela tem à mim, e sabe disso. Sei que não sou lá o melhor filho do mundo, brigo de mais, discuto de mais, choro de mais, mas ela e todo mundo sabe que eu amo de mais.
O tempo me tirou o vôlei todo fim de semana, me tirou as noites dormindo no sofá, me trouxe lembranças, me deu histórias a contar.
Dedico esse texto à essas três pessoas.
O anjo, por ter me criado, me dado noção de caráter, de tudo. Agradeço-o por ser chato, por que se não tivesse sido assim, não faria nada. Agradeço-o por me escutar quando quero mostrar uma música, por me incentivar e me dar apoio em cada uma das minhas decisões, agradeço e peço para que ele nunca esqueça que é o melhor pai do mundo, e que, por mais que eu não possa ser nem metade do que ele é, eu vou tentar ser motivo de orgulho para ele.
Agradeço à meu irmão, por que mesmo estando longe, ele me ilumina, e me dá força para escrever. Se não fosse por ele, hoje eu não teria esse blog, não teria escrito tantas coisas. Eu agradeço à ele por ser o meu maior exemplo, na vida, no trabalho, no amor. Meu irmão me deu coisas que mais ninguém pôde dar. Ele me formou o gosto musical, o gosto pelos livros, ele foi, e ainda é, a razão do meu sorriso, da minha brincadeira.
E por último, mas nem de longe a menos importante, a minha mãe. Essa sim, eu discuto, brigo, tenho até medo as vezes. Mas o que ela fez de mim, nada pode apagar. Ela me ensinou que chorar não é fraqueza, me ensinou que não podemos desistir. E essa eu não tenho só a agradecer. Eu, aqui, devo, como filho, como pessoa, pedir desculpas por fazê-la chorar. Mãe, você não merece nenhuma lágrima que não seja de alegria. E, se, às vezes, eu brigo com você, é por que quero o teu bem. Saiba que sempre terá alguém pra te levantar da cama, pra te cuidar quando estiver velhinha, para te abraçar toda e qualquer vez que pedir, pra dizer que te amo e lembrar de como falava as capitais quando era pequeno. Obrigado, meu amor.
É importante que qualquer um que esteja lendo saiba que esse texto é um desabafo, um desabafo banhado de lágrimas. Mas também um pedido. Um pedido para que nunca deixem de dar valor à família, pois este sim é o melhor bem que temos no mundo. Nada vai ser maior do que ver o teu irmão chorando de orgulho na tela do computador, do que ver seu pai e sua mãe te aplaudindo, numa peça te teatro, num show de rock. É esse tipo de coisa que faz a vida valer a pena. que faz o sorriso ter um motivo. Se eu choro agora, saibam, principalmente vocês três, que é de alegria. Que é de amor, que é o amor que eu sinto por vocês que me inspira os versos, os parágrafos. E que cada linha que eu escrevo, seja no papel, no computador, ou em pensamento, é pensando em vocês. Eu os amo, com todas as minhas forças.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Casamento. Tipos, comportamentos e gastos.

Casamento! Do latim maridus gastandus, do grego contas apagaris, e há também meu pensamento de que a semântica venha de que casa, tem a ver com o lar, e mento é de tormento. Logo, casamento é o tormento que se tem em casa.
Hoje é dia de Santo Antônio. O santo de sangue na cabeça! Sim né, por que o que tem de gente deixando o coitado de cabeça pra baixo para arrumar alguém não é mole! E puxa, coitado...É só um santo, está lá no céu, sem fazer nada a ninguém, e aqui embaixo as pessoas deixam ele se afogando lá, ou de cabeça para baixo...
Tudo bem que casamento é aquela coisa linda e maravilhosa, o marido em luto lá de preto, e a mulher já gastando o dinheiro dele no vestido, mas tem alguns "tipos" de casamento, que realmente não fazem sentido. Se você quiser, vá na Wikipedia e veja.
Casamento liberal. Tá. Então tu casa, jura fidelidade à mulher, e deixa de dormir com ela por que uma amiga ligou e você vai lá para ficar com ela. Como se não bastasse só isso, a mulher não só deixa, como tambem vai fazer a mesma coisa! Por outro lado, esse casamento poderia durar pra sempre, nunca enjoarão...
Casamento branco. Ah, sim. Você casa. E a lua de mel vira, sei lá, sol de limão? Qual é a graça? Você estar casado e não ter relações sexuais. Nenhuma! Nunca! A salvação é ter um casamento branco-liberal...aí faria sentido. O nome deveria ser casamento bege. Afinal, existe cor mais sem graça que essa?
Casamentos poligâmicos e/ou poliândricos. Outra coisa sem sentido algum! Pra quê? Tá, a mulher até tem razão, se ela já estorquiu tudo que conseguiu de um, vai ficar triste, mas aí ainda restam outros cinco! Agora, o homem...Você vai ter mais de uma mulher pra sustentar, sua casa vai virar um ninho de amigas, sem contar a quantidade de filhos! Você vai ser o Mr. Catra da vida!
E por último, o que não devia ser um tipo, pois todo o casamento tem um fundo desse, não vou nem me alongar. Casamento de conveniência. O nome diz tudo.
Mas não vá pensar que eu não acredito em casamento. Eu acredito no seu sentido, na sua forma, só acho que hoje em dia não há necessidade de tais formalidades. É uma coisa tradicional de mais, às vezes até chata de mais.
Garotas hoje, não querem debutar. Festa de quinze anos, hoje em dia, é um baile funk onde a família está! E só! Vestido branco, anel e desfilar lá com uma dor infernal nos pés por causa do sapato é raro nos dias atuais. O mesmo acontece com o casamento, por que antigamente, o sonho das mulheres era entrar de vestido branco, casar, ser dona de casa. Hoje em dia é...existe mulher querendo casar?! A independência feminina acabou gerando isso. Elas estão preferindo viver sozinhas, para conseguir mandar no rumo das próprias vidas. Eu concordo. Acho que é um certo espaço que elas tem que conseguir. Mas por favor, preencham esse espaço com um homem do lado, que é chato ficar sozinho!
Mas então, mesmo com tudo isso, as mulheres desse jeito e tudo mais. Você casa. A sua mulher é uma deusa, você está louco. Conta para os amigos naquele fervor, diz que há algo muito perfeito na sua vida. Diz que vai casar. Aí ocorre a cerimônia, a lua de mel (ou o sol de limão) e você adormece ao lado de sua donzela. Acorda do lado de uma vassoura de olhos e bafo. Uma semana depois, ela não se depila. Um mês, o café dela tem gosto ruim. Um ano, as roupas não servem. Dez anos, você está falindo. 20 anos, se você chegou, parabéns.
E mesmo assim, com tudo isso, ainda acho que, se casou, é obrigado a ir até o fim. Me entristece ver a quantidade de divórcios. Eu acho que nunca me separaria. Por vários motivos. Eu gastei de mais com a festa, com ela, não vai ser em vão! Também preciso de alguém para dormir do lado! Preciso de carinho! Esse tipo de coisa...Homens, se separam e se sentem livres, no dia seguinte, a barba fica por fazer, ele enche a cara e choraminga um "Volta fulana".
Todavia, meu exemplo é bom. Meus exemplos aliás. Vô e vó que moram comigo são ótimos. Casados à muito tempo. Isso não significa que eles não briguem. Brigam e muito. Mas se amam, sinceramente, é engraçado vê-los de birra. Eles choram, se xingam, mas não sabem dar dois passos sem o outro. Meu pai e minha mãe também. Casados a uns trinta anos eu acho. Se amam como dois garotos. Meu pai, ficando uma rolha, minha mãe...tá, ela lê meu blog, eu me recuso a falar. Mas eles são os melhores! Por que casamento não é só homem e mulher. É homem, mulher, casa, filhos, contas. E eles lidaram com tudo! Meu irmão e eu temos o melhor exemplo de todos, e ele vai seguir esse exemplo, namora a um tempo, e não pensa em se separar nunca. E eu...ah, eu sou muito novo para estar pensando em casamento...será?
"O casamento é uma relação onde uma pessoa está sempre certa e a outra é o marido."

terça-feira, 12 de junho de 2012

Eles falam

Sério cara, esse texto pode ter erros de português, já estou avisando, então, nem comentem...
Sabe aqueles dias que tu suporta suporta e suporta, e quando chega em casa, explode? Pois é, bem-vindo ao meu dia. Me chamam de metido, de idiota, de falso, de tudo...
Mas o pior de tudo: é mentira. Sim, por que eu poderia estar aqui sofrendo de uma crise no ego, e ser tudo isso, e me achar normal, mas não! Eu não sou nada disso! Pelo menos eu acho, agora já nem sei...
Eu consigo me olhar no espelho e ver o que fiz, o que deixei de fazer, me arrependo de muitas coisas, não apagaria nenhuma. É, está na hora dos meus parêntesis. As pessoas tem o costume imbecil de tentar apagar os erros, é comum a pessoa se sentir orgulhosa e dizer com um brilho no olhar e sorriso no rosto "Ah, passei uma borracha naquilo, agora estou feliz!". Não! Você não passou uma borracha, a vida não é escrita à lápis para que possamos fazer isso! Deus escreve a nossa vida à caneta. Daquelas bem fortes. Então, garota/garoto que "apaga tudo" saiba que sua borracha na verdade é um rabisco na folha de papel. E toda vez que você olhar a riscalhada que fez, lembrará do erro que te motivou. Triste né?
Voltando então. Eu nunca apagaria, nem riscaria nada. Pelo contrário, deixaria ali (sublinharia até) para poder depois ler de novo, refletir, ver o que preciso melhorar, o que foi desnecessário ser feito, ou achar que estava certo, e procurar rever alguns conceitos.
Só que, mesmo assim, vai ter sempre algum pra te dizer algo que era pra te deixar pra baixo, tocar na tua ferida, e não só tocar, como abrir ela toda, escancarar seus podres e te reduzir a cinzas. Pegue as cinzas, espírito, jogue-as no mar, e seja feliz, mesmo morto. É o que eu penso.
As pessoas te julgam sem saber, e te julgam pelo que é exterior. Quem um dia olharia para um queixudo gigante e desengonçado, que usa capuz e anda meio corcunda e diria "Hummm, esse garoto gosta de escrever, e é viciado em rock..."?
Dizem que eu sou engraçado...eu só vejo o lado bom das coisas...
Dizem que eu sou muito grande...é questão de proteção...
Dizem que eu sou nerd...só gosto de exercitar meu cérebro...
Dizem que eu sou louco...sou vocalista numa banda de rock (obrigado Renato Russo por essa frase!)
E para terminar, o trecho de uma coisa que eu escrevi à um ano e pouco atrás, e achei ontem no armário, posso dizer que foi a motivação para esse texto.

"Eles falam da tua roupa, vão falar.
Eles falam do teu jeito, vão tremer
Eles falam do teu sorriso, vão contar
Falam da tua história, vão reverter
Eles falam, criticam
Falam, falam, te tiram a paz
Berram, sussurram
Mas só conseguem isso, nada mais."

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Finalmente.

Então, fazem 11 anos que a conheci. Tinha ela um cabelo curtinho, de um loiro tão agradável. Ingênua, leve, graciosa, como era linda! Como É linda!
Muitos beijos mandei pelo portão marrom da antiga casa, sem, no entanto, nunca ter coragem suficiente para transmitir aquele beijo aos seus lábios. Aliás, nem coragem, nem idade, né?! Era uma festa, aquele rosto. Aquele sorriso tão bobo, e tão carregado de alegria, me fazia sorrir sem ter motivo. Eu nem sabia, aquilo era o começo. O começo da minha vida, talvez.
Passou-se um grande período. Um tempo onde não tive seu sorriso, seu abraço, seu olhar engraçado. Era a penumbra, onde eu sabia onde estava, mas nunca me sentiria bem. Passou-se o período, onde me entreguei a amores e beijos, sem nunca poder ter sentido os teus. Como duraram aqueles tempos de penumbra...
Ela foi meu erro, e meu mérito. Minha angústia e meu sossego. Foi tudo pra mim...
Sinto em dizer que o erro que ela foi comigo, interferiu em outras relações, me arrependo disso, e peço perdão até hoje. Mas eu desconhecia que havia um mundo lá fora, que não fosse o mundo dos seus olhos, e de seu sorriso, agora com um aparelho dental. Ainda assim era o seu (ou meu?) sorriso...
Usava ela uma blusa preta, calças jeans e um allstars preto com cadarços laranjas. Os cabelos presos em uma colinha de madeixas loiras. Eu me prendo aos detalhes.  É lógico que sim, já que temos que conhecer tudo possível sobre o nosso mundo!
Meses depois, anos depois, pareceram vidas depois, viríamos a nos encontrar novamente. Mas lamento dizer, que nos repelimos tal como dois imãs positivos. Era estranho vê-la tão longe, e não mais conseguir atrai-la. Ela me ignorava, me deixava em pedaços, já estava esquartejado, mas ela não se bastou. Ateou fogo em meus restos, tornando cinzas meus membros. As labaredas do fogo daquele beijo que ela dava em outros lábios queimaram não só o corpo, mas a alma. Eu conhecera a penumbra, mas não esperava encontrar tamanha escuridão.
Sorte que a benevolência sempre anda ao meu lado! E, eu, que li e acreditava em fantasia, me vi como uma fênix, renascendo das cinzas, e com vontade agora não mais de morrer, mas de retomar o que era meu, o meu mundo! Aquele que nunca deveria ter saído dos meus braços!
Estava eu com saudade. Saudade que, em um lampejo de coragem, me motivou a pedi-la em namoro. Eu jurava que ela ia dizer que me odiava, eu renascera, mas as lembranças da escuridão continuavam vivas em mim. Ela aceitou, e me fez o que sou hoje: O menino mais feliz desse mundo.
Agora, eu desconhecia a escuridão, meu mundo era uma luz, que quase me cegava as vezes!
Logo, ela, que já havia sido tudo! Como o tempo passou, né? E vemos esse tempo passar nos apelidos, nas formas como lhe chamei. Você foi só teu nome, pirralha, mamãe (preferi não contar esse caso aqui), pequena, bolachuda, baleia multicolor, para ser o que é agora. O que sempre deveria ter sido! O meu amor. Finalmente.Eu te amo.

Em um jardim de pedra...

Sim, de pedra, com alguns arbustos na frente.
Ali, há um mês e um pouco mais, o vento levou duas flores, e uma chama a se encontrarem. Bateram-se os três, ali na frente da universidade, ali mesmo.
Duas flores imponentes, de grande significado. Cravo e Tulipa se bateram com tamanha força, que o choque foi engraçado. Ambos eram iguais, viam-se um no outro, tinham os mesmos gostos, falavam do mesmo jeito.
A chama do castiçal  tremeluzia em uma risada contida, provinda de algum lugar de Goiás...Como era fofa!
E aquilo ali durou umas duas ou três horas. Aquele papo, aquelas semelhanças que não paravam de brotar, como se no baque inicial, ambas deixassem cair sementes que, com o calor da chama, e a luz do sol (ou seria da lua? É, da lua) cresciam e se mostravam em formas de semelhanças.
As flores eram diferentes por fora. Mas traziam dentro de si um pólen que era do mesmo gosto aos beija flores da vida. Eles eram tímidos, mas imponentes. Altos, porém frágeis. Engraçados, entretanto sérios e românticos. E, antes que me faltem os conectivos da língua portuguesa, eles eram as duas faces do mesmo ser. Posso dizer, que eram conectados pelo pólen.
O cravo era preto, bonito, elegante. Já o Tulipa (sim, O Tulipa) era azul, não tão bonito, nem elegante, mas muito mais extrovertido. Foi ele quem puxou o assunto de qual melodia daquele jardim o cravo mais gostava, e surpreendeu-se ao perceber que eles gostavam dos mesmos passarinhos, que, "algum dia", tocaram ali. Tinham o mesmo vício pelo que posso chamar de "última noite", e gostavam de algo como "me chame volta". Meros humanos não iriam entender. A melodia juntou as flores, e eles resolveram fazer a sua própria. Uma canção para louvar a lua, mas em plena luz do sol. Foi lindo para Tulipa, observar o enamorar da Lua e o Cravo.
Passaram-se alguns minutos, o cravo deixou a lua por um instante, e as duas flores entrelaçaram as pétalas em um abraço banhado de risadas e de "missão cumprida". No mesmo dia perceberam que faziam o mesmo som em uma música, cortaram a mesma pétala no mesmo lugar. Era verdade. Eles eram irmãos. Os irmãos de plástico. Sim, as flores eram de plástico, e os titãs tratam de explicar o por quê!
Acho que ficou suficientemente sucinto de informações, e espero, daqui a anos ou meses poder escrever mais histórias de Cravo e Tulipa.
Um abraço, cravinho, teu irmão tulipa aqui te adora, e tem orgulho de ti, por ser simplesmente você!

Entre miltons e planícies.

É, entre Miltons e planícies. Miltons, seus mil tons, seus dons geniais, falou Caetano na música. E eu achava que o Milton de quem ele falava era o único que iria conhecer até o fim dos dias. Enganava-me completamente, pois não só conheceria outro, como me apaixonaria por ele! E sobre quem me apresentou Vossa Santidade Milton Santos, é para quem eu dedico esse texto. As planícies do título, bem, vocês entenderão.
Fazem anos que a conheço. Vamos começar do início, então.
Que ano era? Olhem só, apreciem o esquecimento desse cronista! Era para eu ser dotado de uma memória infalível, e, pensando bem, de fato eu sou, mas lembrar em que ano conheci a mulher que me abriu as portas para um mundo novo, não vou conseguir, perdão.
Esquecendo datas, eu me lembro das primeiras impressões que tive dela. Era uma mescla de "Nossa, que que é isso?" com "Até que ela não é das piores". Se eu me encontrasse com meu eu do passado, diria para ele prestar atenção em cada detalhe, cada palavra que ela falava. Aquilo mudou minha vida, é sério.
Ela falava de mares, e de terrenos de vários tipos, não lembro, até o fim daquele ano, não ligava tanto assim para o pouco tempo que tinha com a pobre.
Mas no ano seguinte, acho que oitavo ou nono ano, sei lá, eu comecei a gostar daquilo. Ela começava a falar mais do comportamento dos humanos em relação a várias coisas - natureza, sociedade, empresas, etc...0 - e eu me fascinava cada vez mais por aquele mundo de verdades e descobrimentos que era a matéria que ela ensinava.
Ah, meu leitor querido, se você soubesse! Há quem diga que é impossível termos uma amizade entre professor e aluno. Bom, só posso concluir que essa pessoa nunca me viu falar com aquela-a-quem-dedico-o-texto. Eu a escuto em aula com um filho que escuta os pais falarem de como sofreram para chegar até ali. Ela não percebe, é claro, mas seus olhos brilham quando fala do Milton! O seu jeito engraçado me faz pensar as vezes, se ela é realmente real... Achava eu, até então, impossível deixar transparecer a jovialidade, a brincadeira, e ao mesmo tempo um ar de severidade, pulso firme. Ela consegue e muito bem! Meu exemplo!
Como se não bastasse, ela não está sozinha. Há outra pessoa, outra mulher, outra deusa das classes, com quem já não posso bater aquele papo, almoçar, jogar conversa fora. Se ela soubesse o quanto eu sinto sua falta...Aquelas aulas nunca mais serão as mesmas...Aproveito a deixa, para pedir, se não for incômodo, que passes este texto à ela, por que sei que vocês são amigas, e sei o tamanho do meu sentimento pelas duas.
Voltando, antes que me desvie do foco central do que faço aqui. Então essa pessoa me mostra a sociedade, ela me abre os horizontes para lugares onde, mesmo sem visitar, posso sentir só pelo jeito como ela fala. Ela faz com que eu viaje, delire, e volte ao meu assento na sala de aula. Tenho, com ela 100 minutos por semana. Para você ver como é forte, em 100 minutinhos, consigo fazer e perceber tudo isso que aqui falei.
Um beijo para aquela que me ensina a ter postura em aula, me fala sobre rochas, minerais, planicies e planaltos, ser humano e capitalismo. Um beijo para aquela que me ensinou que a comunicação e o transporte são as maiores ferramentas da globalização, e que esta mesma pode ter um sentido muito amplo, abrangendo até a época das embarcações! Um beijo para você que me formou até aqui, me esculpiu, e está proxima de dar o toque final. Um beijo do único aluno que seria capaz de escrever com tanta sinceridade esse texto. Do seu Arlindo, minha querida professora de geografia, minha linda, Márcia Meyer.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Repetindo

Eu repito as palavras que uso para te encantar
repito minhas leis, até alguém ouvir
digo novamente, o que gritei anteontem
repito em minha mente, aquilo que me fez sorrir

Eu repito os acordes da composição
aquela que fiz há meses atrás
só para não esquecer dos momentos que a cercavam
e que me lembravam daquela sensação de paz

Repito as cartas, os amores
as dores, os sonetos
mas preservo meus valores
eu não repito os erros.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Canção ao irmão mais velho.


Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
Enchendo a minha alma daquilo que outrora eu deixei de acreditar
Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar
Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia o verbo a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto... depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só
Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar..
(O anjo mais velho - O Teatro Mágico)

As faces da dolorosa verdade.

Há quem diga que "bateu as botas"
Há os que falam "passou dessa pra melhor"
"Está a sete palmos abaixo do chão."
Foi encontrar o grande pai
Eles escolhem dizer qualquer coisa
Eles preferem não dizer na cara
Eles preferem fazer qualquer coisa
Para adiar a verdade, que dói.
Ser criança é bom por isso.
Virou estrela, amor, um dia você vai ver.
Aí crescemos e vemos que na verdade
Só em sonhos poderemos ter aquela pessoa.
A morte é difícil de suportar
É ruim pra quem fica, não pra quem vai
É a elevação da alma, o luto dos chegados
É, pra mim, compreensão, não fim.
Por que vestir preto?
Se o indivíduo está se elevando para com Deus?
Por que botar flores.
Se elas, como quem ali está, vão morrer?
Não entendo-a, nem a entenderei tão cedo.
Mas vamos viver pensando na vida, não nela.
O tempo vai nos mostrar os segredos.

No fundo

No fundo eu sou feliz
Não há a tristeza que em outros lugares tinha
Eu sou o que sou, o que fiz
Estando falante, inquieto, na minha...

No fundo eu amo
eu sorrio, eu brinco, só ainda não chorei
no mundo posso dizer: João Vitor me chamo
e ali, eu ficarei

No fundo tudo é risada
mesclada com sono, e um tédio que poso chamar de bom
lá, não precisamos de mais nada
somente o saber que estamos ali, não em vão

Agradeço, ao fundo querido
por que ali eu me sinto bem melhor
ali, mesmo que esteja perdido
me ajudarão no pior

Perdão, você que lê isso agora
não é do fundo do ser que esse escritor lhes fala
no fundo é minha fonte de risadas, de amores
é só o fundo da minha sala!

Velho mundo novo

O mundo estava tão bonito! As árvores, as flores, as pessoas, as casas cinzentas, os apartamentos...quão bela era a vida!
O mundo tinha momentos, datas, vidas, histórias incompletas, livros não lidos, um eu te amo dito sinceramente...
Ele era colorido, não mais preto e branco como me recordava. Ele era esbelto...
Seus sons eram melodias, até o barulho do tráfico dos carros alegrava minha mente e meu espírito. As melodias do mundo me encantavam.
Seu cheiro de poeira, misturado com a fumaça, que estabelecia o contraste com o mar do litoral, e as flores dos campos...
Mas melhor ainda era esquecer o mundo, sabe?
É, esquecer! Não o via, não sentia seu cheiro, não ouvia seus sons. Tudo se apagava.
E eu preferia assim. Não ver, sentir. Só o teu beijo me importava, seu cheiro doce, seu gosto. E também o saber que quando eu abrisse os olhos veria toda a maravilha novamente. É bom esquecê-lo quando, nas noites frias, te ligo, dou risadas, sorrisos...
Havia me esquecido o que era esse torpor, essa saudade, o sorrir sem saber por quê.
Mas agora me encanto novamente, com a vivacidade desse velho mundo novo, do mundo de quem ama, de quem se ama, de quem te ama, o mundo do amor.

O não-amanhecer do dia

Acordamos todo dia. Tomamos café e saímos para o trabalho/escola/qualquer coisa que temos que fazer. Vemos o sol, sentimos o frio, o sono, o gosto amargo do café com pouco açúcar para podermos enfrentar o dia...E qualquer fato que quebre esse ciclo, vai causar um estranhamento. Tá, e aí você pensa que estou falando de não tomar café, de não sentir sono. Mas não. Falo eu de não ver o sol. Pois é, estranho, concorda? Saio de manhã, nesses dias frios de Junho e o sol não está lá, pelo contrário, temos a lua. Olho para o relógio, me certifico de que o horário está certo, se não estou acordando cedo de mais. Não. Era a lua mesmo, era como se noite, mas às sete da manhã.
E pra variar o cronista que aqui vos fala começa a divagar em pensamentos filosófico-alternativos sobre o não-amanhecer de um dia.
Metaforicamente: Um dia é como a rotina humana. Ele acorda, relaxa, desenvolve suas atividades, as vezes chuvosas, as vezes ensolaradas, e dorme. Estaria então o dia com sono? Talvez ele queira tirar umas férias antecipadas, e dormir mais um pouco, até tarde! É uma explicação meio doentia, mas não deixa de ser válida.
Religiosamente: Mas, partindo para outra explicação, menos louca, talvez, quem faz nascer o dia? Deus? Tá, se for mesmo Deus. O que ele ganha fazendo o dia nascer as oito? Será que ele, percebendo que as criaturas criadas à sua semelhança, estão perdendo o amor pela sua criação? Ele pode estar vendo que o nosso mundo perdeu o gosto por ver o sol. E que beleza que é o sol, não é? Ele fica lá, quietinho, imponente, firme, mas mesmo assim, realiza e possibilita milhares de funções, sem nem se mexer. Então Deus decide mudar as coisas e fazer com que o dia amanheça mais tarde, como que dizendo "Agora vocês estão percebendo o sol, não é?!" Bom, se esse era o motivo, pelo menos comigo e com meu pai, ele conseguiu, que falta faz o sol...
Romanticamente: Podemos pensar também que o sol e a lua sejam irmãos, sendo a lua a mais nova, menor, que ainda precisa do irmão mais velho para poder aparecer, afinal, a luz da lua é só um reflexo da luz do sol, correto? E aí todo mundo reclamava do sol no verão. E agora, no inverno, os casais todos namoram no friozinho, ao brilho da lua. Então a lua, com seu ego elevado, resolve roubar a cena. A paixão dos humanos por vê-la sobe-lhe a cabeça e faz com que ela não deixe o irmão aparecer tão cedo, e fica ali, para que quando os casais acordarem, verem-na também, e pensarem, talvez, que ela ficou ali pra eles, como que observando e deliciando-se com o amor dos humanos.
Historicamente: Diz uma história (acho que dos povos antes de Cristo) que o mundo era um baú. E o nascer do dia, era quando alguém abria o tal baú, e a luz adentrava o mundo dos homens. Como eram criativos, os milenares povos! Eles criavam hipóteses, formulavam teorias, viam o mundo de todos os ângulos. E hoje, tendo tudo, os humanos pouco conseguem fazer. Mas, voltando ao dia. O que acontecera com o baú? Enferrujara? Estragara sua fechadura? Por que o baú estava abrindo tão tarde? Acho que aí ressalvamos a única falha presente na hipótese dos antigos povos. Eles não ligavam para quem abria o baú. Somente lhes importava o fato de que ele abria sempre, e ainda abre. Mas então quem abre o baú pode estar com preguiça, de tantos anos abrindo e fechando, e resolve dormir mais, pouco se importando com o que acontece aqui em baixo.
"Musicamente": Sol...Falo eu agora de sol que emite luz, ou o sol que soa nas músicas que escuto da Legião Urbana? O amanhecer é bonito, como um acorde, não seria esse o nascer do dia, portanto? Como se quando tocasse um sol no céu, aparecesse a luz, e ao fechar com um dó, a lua aparecesse. O que acontecera então? A nossa orquestra celeste prefere trabalhar em uma nova composição, dando um aumento na participação de outras notas? Criando novos períodos do dia, entre a tarde de Lá, Si, Ré, botar um Dó sustenido menor, para abrilhantar o fato de que o dia está nascendo? Afinal, a orquestra pode se dar a esse luxo? De compor outra canção, depois de milhares de anos tocando o mesmo acorde? Não soaria essa canção como que ruim para nós, aqui?
Cientificamente: Poderia eu dizer também que o eixo de rotação da Terra está com uma pequena lentidão durante o percurso, fazendo com que se adie a aparição solar, e prolongue a aparição da lua. E se a força gravitacional da lua, principalmente, faz com que as marés subam, não estaria assim a maré subindo cada vez mais? Os astrônomos não podem explicar isso para mim? Qualquer um, explique-me! Por que diabos o sol não está aparecendo?! Bom, desisto da ciência, digamos que eu e ela não somos o que pode-se chamar de amigos.
Sem "mentes" dessa vez, acho que o sol e a lua estão só brincando, o sol pedindo um pouco de descanso, a lua buscando um pouco mais de espaço. O fato é que a rotina segue, saímos de casa, mesmo sem o sol. O café ainda é amargo, o frio ainda nos gela o nariz e seca-nos a boca. Mas perdemos aquele desconforto no olhar ao fixar-nos no sol. (E, leitor, sinto falta até do desconforto!) Quero sim ver o dia. Não desprezo a pobre lua, até por que muitos não a vêem, pois as janelas se encontram fechadas nesses dias frios, e ao acordar, temos sol. Mas, convenhamos, o ciclo das coisas não pode mudar assim!
Opa, acho que assim estabeleço uma contradição entre minhas próprias criações. Devemos, como humanos, sempre buscar a quebra dos ciclos viciosos, mas reclamo furtivamente ao perceber que um ciclo está sendo quebrado...
Ah, não interessa, sou assim. Num dia luz, noutro escuridão. Sou barulho e silêncio. Sou sol e lu...Tá, chega disso, vou aproveitar o sol, aproveitar que agora ele está lá brilhando, por que amanhã quando acordar, provavelmente não vou vê-lo. Bom-dia para você!

terça-feira, 5 de junho de 2012

O corredor.

Abri a porta e dei de cara com um corredor. Foi o maior susto da minha vida. Eu esperava qualquer coisa, me preparara para lutar, para enfrentar os piores e mais perigosos adversários, e era só um corredor. Quer dizer, eu achava que era só um corredor.
Entrei, dei uns dois ou três passos, e aí me deu vontade de ir ao banheiro, e agora, o que faria? O corredor tinha mais de um quilômetro, e milhares de portas. Corri um pouco até achar um banheiro, achei, tinha uma criança, uns 3 anos, que tinha batido as costelas no vaso sanitário. Não dei bola, fiz o que deveria ser feito, e saí. Outro susto. Havia uma parede à minha esquerda, e o caminho de volta do corredor?!
Chutei a parede, fiz de tudo. Não funcionava. Decidi então, meio que por obrigação, a seguir em frente. Abri algumas portas ridículas. Eu acabara de chegar do trabalho, não tinha tempo para ver a mesma criança idiota o tempo inteiro, fazendo coisas igualmente idiotas. Estava de saco cheio. Ei, espera...a mesma criança? Em várias portas? Como?!
Agora eu arrombava as portas, para ver o que fazia a criança, era sempre a mesma maldita criança, rindo, chorando, brincando, esperneando...Eis que achei uma porta diferente. À minha esquerda. Abri a porta com cuidado, e, diferentemente do que fiz com as outras, entrei. Era um quarto verde. Havia uma mancha no teto, um piá de uns 7 ou 8 anos havia estourado uma pepsi ali. Ali estavam dois velhos deitados, com uma criança chorando entre eles, uma criança cabeluda, estranha, à princípio pensei ser uma garota, mas era um menino. Ele chorava baixo, a cabeça enterrada, e só o que lhe confortava era o cheiro do blusão do pai, à que ele se familiarizava.
Cansado de ver aquela cena que não andava, saí. "Ah tá! Que porra é essa?" Admito e peço perdão pelo palavreado, mas foi o que disse. Havia uma parede. De novo. Dessa vez, aparentemente mais grossa, como se conforme eu andasse, a parede crescesse junto, me acompanhando.
Fiquei ali, abrindo, fechando, correndo, me rastejando, até que parei diante de uma porta vermelha, bonita, uma maçaneta elegante, imaginei que ali deveria ser um lugar bonito e interessante. Entrei sem nem perceber quer era uma sala de aula. Ensino médio aparentemente. Vários garotos e garotas passaram por mim, entrando na sala, entrou uma professora de óculos, a turma começou a bagunçar. Menos dois alunos. Uma loira de óculos, bonita, bem bonita, e um rapaz alto, meio queixudo, que parecia estar de bem com a vida, vidrado na professora, que falava freneticamente sobre o espaço geográfico e a relação da produção capitalista com ele. Nossa, que chato, saí, e dessa vez sem sustos, a maldita parede estava ali. Desatei a correr, não pararia até encontrar uma porta interessante novamente. Achei enfim uma porta de madeira, elegante. Entrei. Um mar de mães lacrimejantes e pais orgulhosos. Formatura. Os formandos eram de letras e literatura. Aquela cerimonia linda e chata. O orador falava bem, tinha um texto bem escrito e muito bem trabalhado nas  palavras. Havia sido ele também, as melhores notas da turma, ganhando uma bolsa em Santa Catarina. Havia sido também abraçado e beijado por uma mulher alta, aparentava ser muito inteligente. Ela me lembrava alguém...não, era só imaginação minha. Ah, não tenho saco para formaturas, tchau.
Parede, corrida, blá blá blá, eu nem prestava atenção no que estava fazendo. Ei, pera aí. Uma cortina! Entrei, que diferente, acho que aqui vai ter algo que preste, que valha a pena. Que nada, acho que a coisa que eu mais odeio é cerimônia de casamento! O noivo de terno, tremendo nas bases por que ia casar, e a noiva...Nossa! A noiva era absolutamente perfeita. Com aquele ar de superioridade, contrastando com o rosto de menina e o corpo de mulher. Tirando uma cicatriz, que ele já estava habituado, a noiva não tinha defeitos.
Ah, quer saber? Casamento é um saco, vou embora daqui. Ops. Agora sim tempos uma coisa legal. A parede que habitualmente se formava havia sumido. E havia só uma porta em minha frente. Uma porta normal, de apartamento. Começou uma voz então a me falar algumas coisas, eu não entendia, mas a voz ia como que me empurrando em direção a porta. Abri meio sem querer, meio que jogado em direção à ela, e a voz se tornou compreensível, eu abri os olhos.
- Amor, não dorme no sofá, credo.
Havia sido um pesadelo, horrível. Vivi achando chato todas as minhas histórias naquele corredor. Eu bati as costelas, chorei no quarto da mãe, casei, fiz faculdade, estudei...Nem da minha esposa eu lembrava! Comecei a chorar desesperadamente. Ela, minha esposa, sem entender, me abraçou forte e perguntou o que estava acontecendo.
-Ah, querida, me prometa uma coisa: Prometa pra mim que nunca vai deixar eu esquecer quem eu sou, o que fui, o que fiz pra chegar aqui, e antes de qualquer coisa: Nunca deixe eu esquecer que você é a mulher da minha vida. Desde a época daquele cabelo volumoso e esquisito, até agora, uma mulher. A minha mulher, minha vida, meu amor.
Chorando também ela me apertou. Eu não ia esquecer, nem em pesadelo. Nunca mais.

O fazer.

E você faz, sempre faz. Não queria, mas acaba fazendo, mesmo tendo prometido na semana passada que nunca mais iria fazê-lo. E dessa vez era ainda pior, além de ser a milésima vez, era a milésima vez que não era necessário. Convenhamos, nunca é necessário.
Ele nem liga, não sabe, tu disfarça bem, o que para você está escrito na testa. Pra você e só pra você, por que para os outros, você está sorrindo à toa. Não sei se é melhor encarar o problema de frente, e admitir, ou mudar, omitir certas coisas para se chegar em uma conclusão, que quase sempre é a de fingir pra não sofrer.
Na hora, você se escabela, se joga contra a parede, fica de joelhos, de pé, inquieta....E depois para e faz, como sempre. Isso se já não faz enquanto realiza as atividades que citei antes.
Agora pare um pouco. Feche os olhos depois que ler esse texto, e pense se valeu a pena. Se você ganhou algum prêmio por isso. Se fazer faz bem. E procure a percepção de que não podemos mudar o feito, mas que podemos preparar-nos para nunca ter que fazer.
Faz, vai. De vez em quando é até bom poder fazer. É melhor ainda quando você entre soluços solta um sorriso, mesmo fazendo. É legal fazer quando se abraça os pais, ou o irmão.
Então, vamos lá: Faça do seu feito, a coragem pra levantar a cabeça e seguir caminhando na busca da felicidade. Faça, mas se for pra fazer, que seja de felicidade. Prepare sua mente para não ser vulnerável. É muito fácil, é pratico fazer, mas a surpresa e a plenitude de sua alma, quando não o faz, por que não é necessário, é bem melhor. Quando você for uma pessoa idosa, perceberá que colecionou feitos, e não abraços, não podemos ser assim. Não vá fazer, pra se arrepender depois. 
Também não faça por ninguém, nenhuma pessoa vale isso. Você não pode se entregar tão fácil assim, né?
Então vá lá, sorria, brinque, pule, pinte o cabelo, corra, grite, mas não faça por nada, por que chorar é muito feito, e você fica linda sorrindo.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Crise de existencialidade e outras manias

O ser humano é tenso né?
Hoje eu estava falando com meu pai, mais por que não tinha mais o que se fazer dentro do carro do que por vontade, afinal, pra quê conversar com quem te gerou se você pode, sei lá, jogar videogame, não é? Eis que em determinado momento da conversa...Tá, stop! Tu que tá aí lendo (embora eu não acredite que alguem leia aqui) vai ficar de cara, mas guarda ali de onde parou, vamos explicar algumas coisas.
A evolução do ser humano é algo tão estranho, e tão surpreendentemente belo, que nós só conseguimos captar, ao ver com os próprios olhos, o outro. Sim, por que ninguém vê o tempo passar dentro da gente, só no reflexo do espelho. Então acontece de você crescer até os 15 ouvindo aquela tia chata que vem sempre apertar suas bochechas e dizer "Ohhh, como tu cresceu!", e você passa todo esse período com vontade de estrangular a coitada! Aí chegam os trinta, você tem aquele sobrinho, você pega ele no colo, nina o bebê, chega no mês seguinte a peste te chama pra jogar um videogame! Então tu para, e corre desesperadamente para o espelho, começa a perceber que aquele fio branco não era do pelo do casaco, que aquela manchinha funda no rosto, perto dos olhos, são rugas, e aí já era! Se for mulher, corre, compra cremes, se for o marido...bem, o marido não liga muito né? Não sei o que se deve fazer ao certo, mas creio que o que se deve fazer, é se educar para aceitar que, por fora, está um caco, mas que por dentro ainda há um menino.
Onde eu parei mesmo? Ah, é! Então, eu tava conversando com o pai, e eu falei: Nossa! O tempo ta passando rápido, as férias já estão aí (PARA A NOOOSSA ALEGRIA!). Eu esperava um aceno de cabeça, uma confirmação, um tapinha na coxa, fogos de artificio, um atentado ao prédio onde eu moro, qualquer coisa! Mas ele me surpreendeu, e mais uma vez o meu pai fala uma das frases malditas que me faz ficar pensando o dia inteiro.
"Aproveita esse tempo, mesmo que seja chato, vai chegar o momento em que tu não vai querer ver o tempo passar tão depressa assim."
Nossa, cara, para tudo! Lê a frase de novo. Não, sério, sente a frase, percebe bem o que ela te diz, e reflete!
É isso que é velhice então? Querer que o tempo pare, para podermos viver mais o que passamos correndo por que queríamos logo as férias de Julho?
Existimos em função do tempo, e talvez por isso, soframos alguns efeitos (tais como as rugas, ou o videogame) que fazem com que pensemos, sintamos dor, alegria, prazer...Ta aí! Outro conceito que muda conforme o tempo. Prazer.
Tenho praticamente 15 anos, e pra mim, prazer é poder jogar bola, ouvir uma boa música, tocar um violão...o meu prazer varia com a liberdade do poder. Posso sair? Vou sair, terei prazer em ter amigos comigo. Posso ter uma banda? Tocarei, terei prazer em destruir os dedos e cantar para um publico. Entendeu? E aí, quando eu tiver lá meus 30? Terei eu o poder sair? Ninguém vai precisar me deixar sair, eu sairia a hora que quiser! Não estaria no não poder o prazer todo de passar uma tarde de risadas? Talvez por isso aquele cara que trabalha pra caramba fique tão aliviado quando tira, tipo, um dia de férias.
Mas também tem outra coisinha (você que tá lendo, e chegou até aqui, parabéns, deve estar ficando chato, mas eu não vou demorar, apreciem o meu devaneio) que influencia na vida de cada um. O costume. Ah, seu filho de uma mãe! Nós tempos um vício de rotina tão grande, que se algo não se encaixa, aquilo acaba com nosso dia. Então um cara que trabalha a 30 anos no mesmo lugar e é demitido, ele vai pra casa e já não sabe o que faz. Ele acorda cedo e fica olhando pras paredes, começa a cuidar da casa...enfim, o cara enlouquece! Por que? Pois já não sabe se virar sem ter que olhar pro chefe e pensar "maldito velho, me largou uma pilha de coisas mais um relatório" de olhar para a moça do cafezinho e notar como aquele blazer de veludo vermelho fica ridículo com aqueles sapatos. Você tem prazer em chegar em casa e ver a mulher e os filhos. Sem o trabalho, você está ali, vendo-os o tempo todo, qual a graça? Com o que se surpreender?
Acho que isso é uma crise. Crise de existencialidade. Nós nunca vamos ter a plenitude da felicidade. Por que nunca ficaremos satisfeitos, por mais que pensamos tal coisa. Ser feliz, é ser, portanto, o máximo administrativo possível com a sua rotina, pois administrando-a, você não enjoa de nada, e curte a vida inteira.
Ah, droga! É aniversário da minha mãe hoje! Eu não comprei presente, se não fosse o velho nem lembrava (isso que é da mãe e da vó junto!). Ela vai ficar triste de saber isso. Bem, mais aí eu posso dizer que tive uma crise de existencialidade que me prendeu o dia todo, e que eu estava alienado à rotina, né?
Até mais.

domingo, 3 de junho de 2012

Mensagem

Controle a raiva, transforme-a em força de pensamento, e vontade pra seguir lutando. Se entregar é muito fácil, e a vida não escolhe os fracos.

Confuso...

E em meus atos, meu subconsciente clama pelo teu corpo. Subconsciente ? Que papo é esse ? Subconsciente... ele não é nada ! Meu coração anseia pelo teu abraço, meus lábios pelo teu beijo...subconsciente...só eu mesmo...

RELIGIÕES: NÃO DISCUTAM. NÃO VULGARIZEM. RESPEITEM, E SE NÃO SOUBEREM O QUE FALAR, NÃO FALEM.

Verdade de adolescente

A gente ama e não é amado
sonha o que não era pra ser sonhado
imagina o que não deve ser imaginado
se apaixona SEMPRE pelo individuo errado...

A corredora

E corria o vento...
jogava os cabelos escuros para trás, sorria, chorava...
chovia fraco, lágrimas misturadas com os pingos
que caiam duros, gelados, e ela em nada pensava
Corria a garota
já não queria mais viver
corria para lembrar que viveu momentos bons
e além disso, os ruins não conseguia esquecer
Ela corria rápido, para passar despercebida
lamentava não poder amar quem queria
ele tentava, ela ponderava
mas nunca, nunca conseguia...
Ela vivia correndo, corria sem viver
Passou fatos, histórias, anos, amigos, amores
parava para descansar, vivia por segundos
e corria para esquecer as dores
E agora deitada, chora de novo
por ter corrido tantas vezes assim
queria poder voltar no tempo
para talvez reescrever seu fim
Os cabelos já eram grisalhos,
não chorava, não chovia
e ela pensava "e se eu tivesse dado aquela chance..."
talvez hoje, ela feliz viveria
Nisso se abre a porta
e entra aquele, que arrancava dela toda a dor
aquele que corria sempre atrás dela
e que agora se revelava: o seu verdadeiro amor

Coração de um suicida

Um abismo em nossa frente
E a gente sem saber se quer saltar
Se vai voar, se no final
encontrará um fim
No labirinto do que sinto
Só vejo uma saída
Morte é sol, vida é sentir-se só
Morte é pó, vida é sentir-se nó
Se nos anjos vejo luzes
Os diabos me seduzem
Se sou fogo, se sou água
Eu não sei.
O que tem do outro lado
Eu preciso descobrir
O sentido de nascer,
o por que estou aqui.
Morte é sol, vida é sentir-se só
Morte é pó, vida é sentir-se nó
Se quem ama não me basta
Se o que afasta , aproxima
Se há rima em viver
Eu já não sei.
Um abismo em nossa frente
E a gente decidiu que vai voar...

Desistência

Sou soldado que perdeu tudo que tinha: O amor pela guerra, e a guerra desse amor que confrontava seu coração e sua mente.
Sou escritor que já não tem nada: O lápis para rabiscar, e o papel para amassar e jogar num lixo de ilusões
Sou cantor que não faz mais sucesso: Perdi a vontade de compor musicas, e perdi a voz de tanto gritar teu nome.
Veja, sou a face da desistência, mas acredite: isso não me faz mal.
Eu desisto por que não vale a pena correr atrás por algo que nunca virá. Eu desisto por que antes de amar alguém, eu amo a mim mesmo. Entreguei a toalha, me entreguei ao futuro. Aí vou eu !

Crônica!

Eu falava, eu andava
eu lia, eu sorria
eu parava, eu pensava
eu era noite, eu era dia

Eu escrevia qualquer coisa
qualquer coisa sobre qualquer um
eu fazia graça do sério
e do engraçado, um fato comum

Eu tentava só falar
do que comigo acontecia
eu nem me preocupava em explicar
não me importava se todo mundo entendia

Os dedos compridos eram rápidos
e os olhos iam lendo
botava qualquer idiotice...
e era crônica que eu estava escrevendo!

Para Lua e Flor

Há um mês atrás, ou mais, eu conheci um cara... No inicio achava ele meio chato, ele não falava nada, ficava na boa lá... Enfim, acabamos conversando, quando as anãs de plantão foram para a aula e nos identificamos de mais. Era como se ele fosse meu irmão, sei lá, meu clone.
E naquele mesmo dia, mal havíamos nos falado, conseguimos entrar em um assunto meio tenso para se falar, pelo menos entre eu e ele. Entre amantes de strokes, de café e de boa música, nada melhor do que falar sobre a lua, certo?
Falamos (e muito) a sós sobre o que fazer, como agir, até que consegui fazer aquela cabeça de Nick Jonas entender o que era pra ser feito! Consegui! Ali começava a minha importância...
Dias depois, outra visita, outra alegria de ver que nossas semelhanças eram muitas. Eis que surge um castiçal sonhador-maluco e dá a brilhante ideia! Fazer o mesmo que eu havia ajudado a fazer a muito tempo, para outro casal.
Não! Ela não merece tudo isso!
Ok, foi a primeira reação, não me julguem! Acabei topando, escolhemos a música, foi bem legal. Saí com ele, e na saída lembrei de algo, que ele não tinha como saber, não tinha tanta intimidade lunar assim. Trocamos a música por outra que era a favorita dela, e além disso tudo tinha a ver.
Numa segunda feira, à tarde, botamos em prática, meio na correria, errando algumas partes aqui e acolá, mas conseguimos! A flor se encaixou com a luz da lua. E coube a mim e ao castiçal olharmos tamanho amor. Era como se o reflexo da luz lunar fizesse daquela flor algo sutil, e do filetezinho de luz algo gigante. Foi lindo, sim.
E daqui a cinco dias, comemoraremos um mês de lua e flor! (Oswaldo, Oswaldo...) e, por mais que eu não vá poder estar presente, deixo meus abraços e meus parabéns, por que aturar a lua não é fácil, eu sei, e tão dificil quanto, deve ser aturar o meu outro eu.
O fato é que entre clone e baixinha, Nick Jonas e menina monstro, Lua e flor, sempre vi algo de interessante, e me sinto muito feliz por fazer parte daquilo, que, hoje, é um dos meus maiores orgulhos pessoais. Beijo.

Suplicando...

Não desista assim do meu sonho.
Não vá sem levar nossa história junto.
Sua bagagem será carregada de incertezas, de beijos não vividos, abraços não dados
Não vá, se não for pra ser segurando minha mão.
Não deixe que atrapalhem o que podemos viver
Ponham uma pedra em nosso caminho!
Farei da pedra um diamante, e dali, farei anel
Para pedir-te em namoro, selar o que já é certo:
O nosso amor. Mas, querida, não vá!