terça-feira, 24 de julho de 2012

Muitas histórias, um ídolo.

Dizem algumas religiões, que as pessoas, depois de morrerem, reencarnam em outros corpos. A história que me proponho a narrar é de uma alma, que veio de um dos povos mais respeitados antigamente: a Grécia, mais precisamente, de Atenas. E antes que as mentes aguçadas imaginem, não, não trato aqui de nenhum dos três grandes (Sócrates, Platão e Aristóteles). Bem, vamos lá.
Era uma vez um menino, que tinha uns onze, doze anos. Vinha de uma boa linhagem, família boa. Não era um homem de renome, mas já era considerado um grande prodígio. Era diferente, o menino. Não gostava muito de matemática, mas sabia de tudo, um muito.
Sua toga era curta, até meio apertada, mas ele gostava muito dela, aliás, não a tirava por nada nesse mundo. Fora sua mãe, morta no parto, que fizera para ele, e a primeira vez que ele a usou, foi na sua estréia nos meios acadêmicos.
Jeleniakos pouco brincava, se preocupava muito em criar coisas, fórmulas, meios de pensamento. Era um filósofo prodígio. A vida passou com os estudos, e ele já tinha 25 anos.
Era noite, ele resolveu sair para tomar um ar. As ruas de Atenas eram frias, mas ele não ligava, se desfizera de sua toga, já não cabia mais. Foi caminhar, memorizando alguns poemas que escrevera, para dedicar à seu grande amor, Minerva.
Foi tudo muito rápido. Dois homens de armadura o seguraram, e ele era forte de mente, todavia, quase nada  de força física, foi morto ali mesmo, com um corte fundo em seu peito. Depois que a dor cessou. Jeni (como era chamado por sua família) sentiu-se como se subindo, subindo, subindo... Estava em um dos campos da Grécia, só que não haviam casebres, não havia nada. Era só um campo vasto, e um velho, com roupas muito esquisitas. Era como uma toga, só que mais firme, colorida. Falou-lhe o velho que assim ele seria, em breve, e que viria em um povoado ao sul da Bélgica (Jeni nem sabia o que era essa tal de Bélgica). Não acreditou em nada do que o velho lhe disse, até que ele pegou um tipo de vidro, que mostrava tudo que ficava na frente dele (chamava-se espelho) e ele viu seu reflexo. Não era ele. Ou melhor, era ele, mas o corpo já não era o mesmo. E então, ele adormeceu. Dormiu por certo tempo, até que se sentiu caindo, e na queda, perdeu sua memória.
Nascia Julius, na citadela de Gent, ao sul da Bélgica, uma cidade sem muitos pontos turísticos, porém, com a que era considerada a melhor universidade para o futuro. Sua infância fora normal. Sem muitos fatos importantes. A única coisa a se ressaltar eram as notas do menino. Não tirava nada abaixo de dez. Era uma espécie de gênio. Entrou na faculdade mais cedo que qualquer um. E lá ele conheceu Mirian, uma mulher baixinha, bonita, com cabelos curtos e espetados. Pode-se dizer que foi paixão à primeira vista. Cursava letras, era da mesma turma que ele. Concluíram o curso. Mas a mulher não quis exercer sua profissão, queria cuidar da casa. Logo, ele trabalhava todo dia, enquanto Mirian cuidava de Judith, a filha do casal.
O tempo passava rápido, Julius era só felicidade. Até que, um dia, saindo com a carruagem da família. Foi atacado por povos ditos inteligentes e fortes, e fora morto com uma flecha, que trespassou-lhe o pescoço. Mirian morrera logo depois. Matou-se afogada, não queria a vida, sem seu marido.
Como se já soubesse que aquilo ia acontecer, Julius subiu. Até que parou em um grande campo, onde haviam duas pessoas que não lhe eram estranhas. Apresentaram-se como Jeleniakos e Jorge. A conversa era estranha, mas fazia sentido. Conseguiu entender então. Jeni era sua antiga vida, de Atenas, e Jorge, sua próxima vida (a que seria a mais famosa.) Seguiu-se o normal, e ele dormiu, depois começou uma queda imensa. Quando parou, de nada lembrava.
República da Turquia. Cidade: Capadócia. Não preciso nem falar de mais, certo? Jorge era um padre e Guerreiro, mas não vou me demorar de mais. Acho que todos já conhecem sua história. Morreu no ano de 303. E, após sua subida. Encontrou Jeni e Julius, que ele, como muito inteligente, já sabia da existência. E um terceiro, que tinha uma história. Ia se chamar João Vitor. Porém, pouco antes de acordar, Jorge desceu, era considerado santo, e desceu em uma forma que ele tinha, como um negro. Desceu e falou com o que viria a ser o pai de João Vitor e pediu para que ele tivesse o nome de Jorge. O pai obedeceu. Nascia no dia 8 de Julho Jorge Fernando. Filho de Unimara e Cláudio. Era um menino fechado, porém muito estudioso. Cresceu com os ótimos valores que seus pais haviam lhe dado. Lutou para a defesa de tais valores. Pediu um irmão, que nasceu e aí sim, João Vitor. Fazia faculdade, e ao chegar, geralmente às terças feiras, jogava um jogo de futebol para Playstation onde ele e o irmão faziam uma Master Liga, com o Boca Juniors, onde até o Ronaldinho já tinham comprado. Viam Mucha Lucha juntos, cantavam, riam. Eles fizeram muitas coisas juntos, brigaram algumas vezes (geralmente por bobagens de João). Jorge não era nenhum gênio como fora antes, mas do seu meio, era o melhor, certamente. Cursou direito, terminou o curso como o melhor aluno. Trabalhou em Rio Grande (sua cidade), em Porto Alegre, a capital, e agora estava em uma cidadezinha de Santa Catarina chamada Indaial. Estava noivo de Mariana, o amor de suas vidas (Repare que até os nomes batem, sempre sendo J e R, as iniciais).
Nessa vida foi que lhe conheci, o Jorge. E posso dizer para você que ele não precisou matar um dragão, não precisou ser filósofo, nem um gênio belga. Bastou ser ele mesmo, risonho, chorão, o que for. Bastou aquela risada meio soluçada. Bastaram os cds da Legião, dos Mamonas, Titãs. Tudo que ele fazia, e faz, é motivo de orgulho, e ele é o maior ídolo que eu tenho comigo. Por que não há ídolo melhor do que aquele que veio do mesmo ventre que você. Ontem me contaram que você acertou oitenta e poucas questões de cem, para ser juiz, confesso que não me surpreendi. Pois de você espero sempre isso: o melhor.
Dedico esse imenso texto, até meio massante, àquele que merece todos os aplausos, reverências. Ao meu melhor amigo, meu irmão. Eu te amo, Jorge Fernando Xavier de Lima.

"Sou chuva, serena pra te refrescar,
Rajada de vento pra te carregar
Sou caminho, você é meu lugar,
E eu beija-flor só pra te beijar.
Me descobri depois de te amar,
Fiz carnaval só pra você sambar,
Me transformei, mesmo sem percever
Depois de você, não haverá mais ninguém."
SAUDADE, de Cláudio e João Vitor Lima.

domingo, 8 de julho de 2012

Banda de rock

E aí você gela. Espera duas, três, quatro, cinco horas. Treme, dá força, busca ficar calmo. É impossível. Você vê os outros tremendo, dando certo, errando, acertando, e espera a sua vez, quer aparecer, mostrar o seu melhor. Você ensaia, busca a perfeição. Ouve os aplausos, vê a fumaça, o jogo de luzes, tudo faz com que você se sinta mais nervoso, ansiando cada vez mais se soltar, explodir em som, todo o nervosismo que te prende. Minutos antes, avisam-te que chegou a hora, você começa a tremer. Pode ser o frio, o nervosismo, a tensão. Não importa. É chegada a hora. Anunciam nossos nomes, elogiam, brincam. O improviso inicial começa. Até que soa a bateria, a melodia já ensaiada milhares de vezes. Entro no palco, ao som da guitarra e do baixo. Esqueço que tremi, esqueço que há um mundo na volta. O som corre como sangue nas minhas veias, flui para todo o corpo, e eu solto minha alma e minha voz. Sim, por que estar em um palco, é estar de corpo e alma ali. A voz que canta sai praticamente involuntária. Chega o solo, e aí o som, digo, sangue, ferve. A corpo se sacode, flui, pulamos, gritamos, giramos, fazemos de tudo para extravasar o momento tão aguardado, e também tão curto. O som vai terminando, o improviso final. Como gosto do som da bateria naquele fim. Já pulamos. Já tocamos. Encantamos. O último acorde é tocado. E depois dos aplausos, sabemos que valeu a pena. E assim é fazer uma apresentação em uma banda de rock.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Inverno

Passamos o calor, a delícia que é não ter nada para fazer, e fazer tudo de uma vez só. Acabamos acostumados com o movimento, com as pessoas, com conhecer coisas novas, experimentar as experiências e aventuras que a vida lhe apresenta, e aí temos que lembrar que acabou, que não há mais pessoas, só idosos com seus chimarrões sentados, esperando sua hora chegar, pessoas apressadas, na padaria, na farmácia, não é a mesma coisa...inverno, inverno...
Não temos mais como jogar bola na rua, o frio nos partiria ao meio. E não basta ser o inverno, tem que ser no Rio Grande do Sul, uma amostra grátis do Alasca! Quero sair, a preguiça me impede, não há como sair dos cobertores e encarar o dia. A gente tenta se conformar, aceitar a nova rotina mas não dá. O inverno trás  a preguiça, a gula, todos os pecados ao mesmo tempo. Para mim, o inferno é gelado...
Mas deixando de lado esse papo, há quem diga que o inverno é melhor, por que o calor, você, mesmo despido sente, e o frio é mais aceitável, já que podemos nos enroupar, tapar, abraçar, enfim... Dizem que gostam de neve, de fazer guerrinhas, esse tipo de coisa. Eu acho que o inverno é bom quando se está com alguém, pois assim, o frio vira calor, o vento, brisa, e não há nada mais fofo do que, tipo, ver um filme com a  lareira acesa com sua parceira(o).
Hoje fui a aula, aquele frio imenso cortando, eu tremendo o queixo, uma dor de cabeça horrível, o inverno só me trouxe chatices! Mas também não posso dizer que tudo foi ruim nesse inverno, por que é nesse período em que ensaio com a banda, vejo mais amigos, tenho o prazer de ficar em casa, tranquilo...
Agora, analisando o aspecto geral do inverno, é legal de estabelecer um paralelo entre o verão e ele, só pela avenida. No verão, não há espaço para uma simples alma no meio daquilo. Você sai as oito da manhã, e sempre tem alguém correndo, ou meninas conversando. No inverno o máximo que verás vão ser cachorros e velhos, que apreciam tanto o inverno nos bancos de lá. Imagino o que pensam os idosos, talvez ali eles lembrem melhor do que viveram, de como eram bons os tempos de juventude.
Hoje encarei o inverno como fazia no verão: de bicicleta. Foi interessante, os olhos lacrimejando, as mãos duras presas aos ferros da coitada bicicleta, com os pneus vazios...
O vento cortava o rosto das pessoas, mas eu seguia, voava, nem sentia...Tudo era o torpor de saber que em breve, veria a pessoa mais linda que o mundo já me fez olhar. Risadas me esperavam, sonhos me tentavam, minha boca ansiava o beijo que não viria a acontecer. O vento ainda cortava, no fim do dia, mas já era escuro, o adeus foi até logo, enfim...o inverno até tem seu lado bom...

domingo, 1 de julho de 2012

O sim...

Esses dias estava vendo o fantástico, e deu lá um negócio de um homem e uma mulher que tinham paralisia, e a mulher escreveu um livro e tal, e uma das frases tinha a ver com o sim, e sua força...Aquilo me prendeu a  atenção, e me fez pensar dias e dias sobre como é forte o sim. Claro, por que o sim representa a irreversibilidade dos atos feitos, das palavras ditas. O não é passageiro, o sim, fixo.
Analisemos fatos isolados, para demonstrar tal efeito.
Você está afim de uma garota e a pede em namoro. Se ela disser que não, claro, você vai ficar triste, mas você ainda estará descompromissado, correto? Terá chances de tentar novamente, outras garotas, talvez...Agora se ela disser que sim? Você terá responsabilidades para com a menina, terá que honrar o pedido que fez, ser fiel, amá-la, no mínimo...
Mas o sim não age somente no que diz respeito aos assuntos amorosos e sentimentais. Você estuda a vida toda, se prepara, casa e tal, consegue um bom lar para cuidar dos filhos, e recebe uma proposta daquelas para trabalhar em outra cidade, muito longe. Se disser não, continuará levando a vida que leva, do mesmo jeito. Mas se aceitar, terá que explicar aos filhos, conversar muito com a mulher, pagar as passagens, se preparar, a vida será outra. O sim é mudança, enquanto o não, rotina.
O sim abre as portas que o não insiste em trancar. É como o estopim de um incêndio, que vê  o jato d'água do não tentar apagar. O sim é para os fortes e responsáveis, que tem noção do quão poderoso tal palavra é.  Perceba a força que terás quando falares um sim sem pestanejar.
O porém da questão é que o sim pode acabar fazendo um efeito inverso e te sufocar. Às vezes nem o sim em si, mas a pressão constante por dizê-lo.
O sim pode te fazer perceber a tristeza que há em você, e aí entramos no porém do não, que é o do "não vou me render" e etc. Tente o sim, sabendo o que fazer com ele, e aprenda a usar o não com sabedoria, na hora certa, sem se precipitar. Se cuide também com o sim que dói. Cuide para não fingir e guardar algo por meses para depois se render e dizer "sim, eu me apaixonei". Pode ser tarde de mais...

Um parágrafo, várias histórias

Tento te esquecer quando a trilha que caminho leva ao caminho que trilhaste até chegar em mim. E fazendo de conta que tudo mudou, que as fotos não envelheceram, que os livros não sumiram, a gente foge pra outro mundo, outra galáxia, onde nenhuma separação aconteceu. A gente foge, corre, pula, grita, vê o que rasga a garganta rasgar o peito, os olhos...A gente chora, gente chora, eu chorei.