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domingo, 8 de julho de 2012
Banda de rock
E aí você gela. Espera duas, três, quatro, cinco horas. Treme, dá força, busca ficar calmo. É impossível. Você vê os outros tremendo, dando certo, errando, acertando, e espera a sua vez, quer aparecer, mostrar o seu melhor. Você ensaia, busca a perfeição. Ouve os aplausos, vê a fumaça, o jogo de luzes, tudo faz com que você se sinta mais nervoso, ansiando cada vez mais se soltar, explodir em som, todo o nervosismo que te prende. Minutos antes, avisam-te que chegou a hora, você começa a tremer. Pode ser o frio, o nervosismo, a tensão. Não importa. É chegada a hora. Anunciam nossos nomes, elogiam, brincam. O improviso inicial começa. Até que soa a bateria, a melodia já ensaiada milhares de vezes. Entro no palco, ao som da guitarra e do baixo. Esqueço que tremi, esqueço que há um mundo na volta. O som corre como sangue nas minhas veias, flui para todo o corpo, e eu solto minha alma e minha voz. Sim, por que estar em um palco, é estar de corpo e alma ali. A voz que canta sai praticamente involuntária. Chega o solo, e aí o som, digo, sangue, ferve. A corpo se sacode, flui, pulamos, gritamos, giramos, fazemos de tudo para extravasar o momento tão aguardado, e também tão curto. O som vai terminando, o improviso final. Como gosto do som da bateria naquele fim. Já pulamos. Já tocamos. Encantamos. O último acorde é tocado. E depois dos aplausos, sabemos que valeu a pena. E assim é fazer uma apresentação em uma banda de rock.


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