terça-feira, 30 de agosto de 2016

ENTA

Vivi a idade infante
onde tudo me era berrante
e eu era, quase sem saber, feliz
fazia pirraça a cada instante
nascia em mim o falante
ser ouvido foi o que eu sempre quis

Agora, tenho quase vinte
deveria estar aprendendo a ser ouvinte
mas pareço insistir em bater o pé
recebi tela, e ainda que em um quadro cético eu pinte
tive criação aqui, e por conseguinte
acabei desenvolvendo minha fé

Meu irmão reside na casa dos trinta
E mesmo que já não grite, ou minta
preserva seus hábitos de guri
sua percepção, deveras sucinta
talvez no auge ela se sinta
e ele ainda brinca, joga, sorri

Por fim, o crescimento assenta
e correndo, a gente tenta
agarrar pedaços do que já passou
mãe me disse que “depois do enta”
é quando mal se aguenta
da saudade do que em nós ficou


Fugir talvez seja possível
e o mundo continue incrível
se a gente souber se adaptar
nada me tira que o imprescindível
ou talvez eu só seja muito sensível
é que viver feliz é sinônimo de amar

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