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Entrei na dança. Na verdade, entrei sem saber dançar, e praticamente forçado. Mas é inegável. Dancei.
Cheguei naquele salão vazio, na verdade, recém inaugurado. Havia somente alguns traços do antigo, alguns quadros na parede que fiz questão de deixar pelo simples fato de ter algo à que lembrar, quando eu quiser. Bom pensar que ultimamente são quadros o que antes eram dores.
Oh, leitor, perdão, me expressei um tanto quanto mal. O salão não estava vazio (e não é por que eu estava ali, eu não conta). Havia ali também uma moça, uma bailarina. Acho que se ela não existisse, nunca teria me ocorrido na vida o pensamento e o desejo de dançar.
A vi dançar uma vez na vida. Faz pouco na verdade, mas o que eu senti sentado naquela cadeira só pode ser explicado quando a vejo, seja em uma foto ou em um espetáculo. Confesso aqui, peço e juro que isso só será lido por mim e por ela, mas uma lágrima quase escorreu em minhas bochechas quando a vi dançar. Não por ter sentido a delicadeza do ballet. Não, não sou tão perspicaz assim. Quase chorei por pensar que aquilo tudo era um pouco meu, e por saber que o salão estava em ótimas mãos.
Sem avisar, sem ensinar, na verdade, mesmo até seu eu perceber, ela me fez entrar na dança. Pensava no inicio ser uma dança solo, pois só ouvia seus conselhos e instruções. Com o tempo de dança, conforme os passos iam fiacando mais complexos e eu nem sabia mais onde começava cada movimento, ou se tudo era um só, percebi que não precisava a presença dela ali. Os seus ensinamentos do que era aquele baile eram tão fortes e tão aceitos no salão que eu sentia-a como que se ali, ao meu lado.
Mesmo assim, esquecendo e fazendo questão de esquecer do mundo a minha volta, chamei-a pra dançar. De forma simples e resumida, botei naquela dança o que era e ainda é temívelmente inexplicável. Esperava de tudo, desde um tropeço, uma pisada no pé e até mesmo o abandono. Ela provou mais uma vez que não é qualquer bailarina. Dançou com mais graça ainda, se expondo completamente. Dançou como acho que nunca havia dançado, admitiu que gostava de estar naquele salão, mesmo não sabendo se para ensinar a dançar, ou para ser meu par. Sinceramente? Não importava.
O salão ficava em uma esquina, onde o sentimento quase fraterno se chocava com um sentimento inexplicável. Definitivamente, aquele era um ótimo lugar para observar o movimento. Eu mesmo ali passava, de várias formas, em vários relances, vários sonhos, sempre acompanhado dela, a bailarina que iluminava e ilumina meu olhar.
Deixo o salão um pouco agora mas não consigo me refrear, e ganho duas certezas ao mesmo tempo concretas e tão confusas como o refléxo n'água: Eu a amava de um jeito inexplicavel. E a não-explicação gravada naquele baile, onde já não sabia se era ballet, valsa ou tango que se dançava, fazia com que o sentimento se provasse mais real. Afinal, a prova de que o amor é verdadeiro está no não conseguir palavras para explicá-lo. Eu te amo, mesmo sem saber como.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
A Dança.
Entrei na dança. Na verdade, entrei sem saber dançar, e praticamente forçado. Mas é inegável. Dancei.
Cheguei naquele salão vazio, na verdade, recém inaugurado. Havia somente alguns traços do antigo, alguns quadros na parede que fiz questão de deixar pelo simples fato de ter algo à que lembrar, quando eu quiser. Bom pensar que ultimamente são quadros o que antes eram dores.
Oh, leitor, perdão, me expressei um tanto quanto mal. O salão não estava vazio (e não é por que eu estava ali, eu não conta). Havia ali também uma moça, uma bailarina. Acho que se ela não existisse, nunca teria me ocorrido na vida o pensamento e o desejo de dançar.
A vi dançar uma vez na vida. Faz pouco na verdade, mas o que eu senti sentado naquela cadeira só pode ser explicado quando a vejo, seja em uma foto ou em um espetáculo. Confesso aqui, peço e juro que isso só será lido por mim e por ela, mas uma lágrima quase escorreu em minhas bochechas quando a vi dançar. Não por ter sentido a delicadeza do ballet. Não, não sou tão perspicaz assim. Quase chorei por pensar que aquilo tudo era um pouco meu, e por saber que o salão estava em ótimas mãos.
Sem avisar, sem ensinar, na verdade, mesmo até seu eu perceber, ela me fez entrar na dança. Pensava no inicio ser uma dança solo, pois só ouvia seus conselhos e instruções. Com o tempo de dança, conforme os passos iam fiacando mais complexos e eu nem sabia mais onde começava cada movimento, ou se tudo era um só, percebi que não precisava a presença dela ali. Os seus ensinamentos do que era aquele baile eram tão fortes e tão aceitos no salão que eu sentia-a como que se ali, ao meu lado.
Mesmo assim, esquecendo e fazendo questão de esquecer do mundo a minha volta, chamei-a pra dançar. De forma simples e resumida, botei naquela dança o que era e ainda é temívelmente inexplicável. Esperava de tudo, desde um tropeço, uma pisada no pé e até mesmo o abandono. Ela provou mais uma vez que não é qualquer bailarina. Dançou com mais graça ainda, se expondo completamente. Dançou como acho que nunca havia dançado, admitiu que gostava de estar naquele salão, mesmo não sabendo se para ensinar a dançar, ou para ser meu par. Sinceramente? Não importava.
O salão ficava em uma esquina, onde o sentimento quase fraterno se chocava com um sentimento inexplicável. Definitivamente, aquele era um ótimo lugar para observar o movimento. Eu mesmo ali passava, de várias formas, em vários relances, vários sonhos, sempre acompanhado dela, a bailarina que iluminava e ilumina meu olhar.
Deixo o salão um pouco agora mas não consigo me refrear, e ganho duas certezas ao mesmo tempo concretas e tão confusas como o refléxo n'água: Eu a amava de um jeito inexplicavel. E a não-explicação gravada naquele baile, onde já não sabia se era ballet, valsa ou tango que se dançava, fazia com que o sentimento se provasse mais real. Afinal, a prova de que o amor é verdadeiro está no não conseguir palavras para explicá-lo. Eu te amo, mesmo sem saber como.


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