segunda-feira, 4 de junho de 2012

Crise de existencialidade e outras manias

O ser humano é tenso né?
Hoje eu estava falando com meu pai, mais por que não tinha mais o que se fazer dentro do carro do que por vontade, afinal, pra quê conversar com quem te gerou se você pode, sei lá, jogar videogame, não é? Eis que em determinado momento da conversa...Tá, stop! Tu que tá aí lendo (embora eu não acredite que alguem leia aqui) vai ficar de cara, mas guarda ali de onde parou, vamos explicar algumas coisas.
A evolução do ser humano é algo tão estranho, e tão surpreendentemente belo, que nós só conseguimos captar, ao ver com os próprios olhos, o outro. Sim, por que ninguém vê o tempo passar dentro da gente, só no reflexo do espelho. Então acontece de você crescer até os 15 ouvindo aquela tia chata que vem sempre apertar suas bochechas e dizer "Ohhh, como tu cresceu!", e você passa todo esse período com vontade de estrangular a coitada! Aí chegam os trinta, você tem aquele sobrinho, você pega ele no colo, nina o bebê, chega no mês seguinte a peste te chama pra jogar um videogame! Então tu para, e corre desesperadamente para o espelho, começa a perceber que aquele fio branco não era do pelo do casaco, que aquela manchinha funda no rosto, perto dos olhos, são rugas, e aí já era! Se for mulher, corre, compra cremes, se for o marido...bem, o marido não liga muito né? Não sei o que se deve fazer ao certo, mas creio que o que se deve fazer, é se educar para aceitar que, por fora, está um caco, mas que por dentro ainda há um menino.
Onde eu parei mesmo? Ah, é! Então, eu tava conversando com o pai, e eu falei: Nossa! O tempo ta passando rápido, as férias já estão aí (PARA A NOOOSSA ALEGRIA!). Eu esperava um aceno de cabeça, uma confirmação, um tapinha na coxa, fogos de artificio, um atentado ao prédio onde eu moro, qualquer coisa! Mas ele me surpreendeu, e mais uma vez o meu pai fala uma das frases malditas que me faz ficar pensando o dia inteiro.
"Aproveita esse tempo, mesmo que seja chato, vai chegar o momento em que tu não vai querer ver o tempo passar tão depressa assim."
Nossa, cara, para tudo! Lê a frase de novo. Não, sério, sente a frase, percebe bem o que ela te diz, e reflete!
É isso que é velhice então? Querer que o tempo pare, para podermos viver mais o que passamos correndo por que queríamos logo as férias de Julho?
Existimos em função do tempo, e talvez por isso, soframos alguns efeitos (tais como as rugas, ou o videogame) que fazem com que pensemos, sintamos dor, alegria, prazer...Ta aí! Outro conceito que muda conforme o tempo. Prazer.
Tenho praticamente 15 anos, e pra mim, prazer é poder jogar bola, ouvir uma boa música, tocar um violão...o meu prazer varia com a liberdade do poder. Posso sair? Vou sair, terei prazer em ter amigos comigo. Posso ter uma banda? Tocarei, terei prazer em destruir os dedos e cantar para um publico. Entendeu? E aí, quando eu tiver lá meus 30? Terei eu o poder sair? Ninguém vai precisar me deixar sair, eu sairia a hora que quiser! Não estaria no não poder o prazer todo de passar uma tarde de risadas? Talvez por isso aquele cara que trabalha pra caramba fique tão aliviado quando tira, tipo, um dia de férias.
Mas também tem outra coisinha (você que tá lendo, e chegou até aqui, parabéns, deve estar ficando chato, mas eu não vou demorar, apreciem o meu devaneio) que influencia na vida de cada um. O costume. Ah, seu filho de uma mãe! Nós tempos um vício de rotina tão grande, que se algo não se encaixa, aquilo acaba com nosso dia. Então um cara que trabalha a 30 anos no mesmo lugar e é demitido, ele vai pra casa e já não sabe o que faz. Ele acorda cedo e fica olhando pras paredes, começa a cuidar da casa...enfim, o cara enlouquece! Por que? Pois já não sabe se virar sem ter que olhar pro chefe e pensar "maldito velho, me largou uma pilha de coisas mais um relatório" de olhar para a moça do cafezinho e notar como aquele blazer de veludo vermelho fica ridículo com aqueles sapatos. Você tem prazer em chegar em casa e ver a mulher e os filhos. Sem o trabalho, você está ali, vendo-os o tempo todo, qual a graça? Com o que se surpreender?
Acho que isso é uma crise. Crise de existencialidade. Nós nunca vamos ter a plenitude da felicidade. Por que nunca ficaremos satisfeitos, por mais que pensamos tal coisa. Ser feliz, é ser, portanto, o máximo administrativo possível com a sua rotina, pois administrando-a, você não enjoa de nada, e curte a vida inteira.
Ah, droga! É aniversário da minha mãe hoje! Eu não comprei presente, se não fosse o velho nem lembrava (isso que é da mãe e da vó junto!). Ela vai ficar triste de saber isso. Bem, mais aí eu posso dizer que tive uma crise de existencialidade que me prendeu o dia todo, e que eu estava alienado à rotina, né?
Até mais.

0 comentários:

Postar um comentário