Então, fazem 11 anos que a conheci. Tinha ela um cabelo curtinho, de um loiro tão agradável. Ingênua, leve, graciosa, como era linda! Como É linda!
Muitos beijos mandei pelo portão marrom da antiga casa, sem, no entanto, nunca ter coragem suficiente para transmitir aquele beijo aos seus lábios. Aliás, nem coragem, nem idade, né?! Era uma festa, aquele rosto. Aquele sorriso tão bobo, e tão carregado de alegria, me fazia sorrir sem ter motivo. Eu nem sabia, aquilo era o começo. O começo da minha vida, talvez.
Passou-se um grande período. Um tempo onde não tive seu sorriso, seu abraço, seu olhar engraçado. Era a penumbra, onde eu sabia onde estava, mas nunca me sentiria bem. Passou-se o período, onde me entreguei a amores e beijos, sem nunca poder ter sentido os teus. Como duraram aqueles tempos de penumbra...
Ela foi meu erro, e meu mérito. Minha angústia e meu sossego. Foi tudo pra mim...
Sinto em dizer que o erro que ela foi comigo, interferiu em outras relações, me arrependo disso, e peço perdão até hoje. Mas eu desconhecia que havia um mundo lá fora, que não fosse o mundo dos seus olhos, e de seu sorriso, agora com um aparelho dental. Ainda assim era o seu (ou meu?) sorriso...
Usava ela uma blusa preta, calças jeans e um allstars preto com cadarços laranjas. Os cabelos presos em uma colinha de madeixas loiras. Eu me prendo aos detalhes. É lógico que sim, já que temos que conhecer tudo possível sobre o nosso mundo!
Meses depois, anos depois, pareceram vidas depois, viríamos a nos encontrar novamente. Mas lamento dizer, que nos repelimos tal como dois imãs positivos. Era estranho vê-la tão longe, e não mais conseguir atrai-la. Ela me ignorava, me deixava em pedaços, já estava esquartejado, mas ela não se bastou. Ateou fogo em meus restos, tornando cinzas meus membros. As labaredas do fogo daquele beijo que ela dava em outros lábios queimaram não só o corpo, mas a alma. Eu conhecera a penumbra, mas não esperava encontrar tamanha escuridão.
Sorte que a benevolência sempre anda ao meu lado! E, eu, que li e acreditava em fantasia, me vi como uma fênix, renascendo das cinzas, e com vontade agora não mais de morrer, mas de retomar o que era meu, o meu mundo! Aquele que nunca deveria ter saído dos meus braços!
Estava eu com saudade. Saudade que, em um lampejo de coragem, me motivou a pedi-la em namoro. Eu jurava que ela ia dizer que me odiava, eu renascera, mas as lembranças da escuridão continuavam vivas em mim. Ela aceitou, e me fez o que sou hoje: O menino mais feliz desse mundo.
Agora, eu desconhecia a escuridão, meu mundo era uma luz, que quase me cegava as vezes!
Logo, ela, que já havia sido tudo! Como o tempo passou, né? E vemos esse tempo passar nos apelidos, nas formas como lhe chamei. Você foi só teu nome, pirralha, mamãe (preferi não contar esse caso aqui), pequena, bolachuda, baleia multicolor, para ser o que é agora. O que sempre deveria ter sido! O meu amor. Finalmente.Eu te amo.
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sexta-feira, 8 de junho de 2012
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